Tratamento de Displasia Coxofemoral em Cães Idosos

Tratamento de Displasia Coxofemoral em Cães Idosos

Tratamento de displasia coxofemoral em cães idosos: entenda mais sobre a patologia, suas causas, e os tratamentos disponíveis mais eficientes de recuperação

 

As doenças da articulação de quadril em cães têm importância clínica na medicina animal, especialmente quando constata-se o alto índice de casos em cães idosos. O quadril é considerado uma articulação sinovial composto por cavidade acetabular do osso pélvico e a cabeça do fêmur, sendo que diversos mecanismos complexos são responsáveis por sua estabilização. Nesse artigo falaremos das formas de tratamento da displasia coxofemoral em cães idosos e suas peculiaridades.

O que é a displasia coxofemoral?

A displasia coxofemoral canina é uma das principais doenças ortopédicas em cães. Acredita-se que a doença incide em mais de 40% em algumas raças e é caracterizada pelo desenvolvimento anormal da articulação, resultando em graus variáveis de incongruência e subluxação da cabeça femoral em relação ao acetábulo.

A instabilidade da articulação pode levar a diferentes intensidades da doença articular degenerativa com o passar do tempo, o que acaba culminando, potencialmente, com a disfunção grave da articulação. Acredita-se que cerca de 90% dos pacientes utilizam-se de tratamento conservativos, principalmente quando os resultados das modalidades cirúrgicas ainda não se apresentem como uma potencial cura. Além disso, os métodos conservativos como a fisioterapia e outras modalidades não invasivas são extremamente úteis, mesmo após a instituição de tratamento cirúrgico. Ou seja, a reabilitação física desempenha papel muito mais fundamental no controle dos sintomas e estabilização indireta do quadril do que propriamente as opções cirúrgicas.

Quais são as causas da displasia coxofemoral?

É bem verdade que as causas da displasia animal ainda não foram totalmente elucidadas, sendo ainda considerada pelo meio médico como uma patologia multifatorial. Isso quer dizer que trata-se de uma doença que pode evoluir por diferentes fatores, mas obrigatoriamente envolvendo os genéticos associados a fatores ambientais (obesidade, traumas repetitivos, sobrecarga de exercícios e suplementação não controlada de cálcio ou vitamina D).

Os mecanismos fisiopatológicos são complexos e ainda parcialmente compreendidos no meio acadêmico. Entretanto, a frouxidão articular, principalmente aquela derivada de alterações do ligamento da cabeça do fêmur, costuma ser a primeira alteração patológica observada nos casos de displasia coxofemoral em cães.

Existe também, em conjunção com essas alterações primárias, relativa disparidade de crescimento entre as estruturas ósseas e de tecidos moles envolvendo a articulação coxofemoral, o que auxilia no desenvolvimento da incongruência articular, instabilidade e diferentes graus de inflamação articular e sinovial.

Os cães idosos com displasia coxofemoral costumam apresentar, na maioria dos casos, uma conjunção de fatores genéticos e ambientais, principalmente no desgaste excessivo do local. Os sinais clínicos mais descritos passam por rigidez articular, diminuição da amplitude de movimentos, anormalidade de marcha, atrofia muscular e dor crônica.

Como é feito o diagnóstico assertivo da displasia coxofemoral em cães?

É importante sempre ressaltar que os profissionais da medicina animal consideram o diagnóstico da displasia coxofemoral como algo desafiador, pois a apresentação dos sintomas clássicos da patologia podem ser semelhantes a outras doenças causadoras de osteoartrose de quadril.

Considera-se importante, portanto, a identificação da frouxidão articular nas fases iniciais da doença, seja por meio de ferramentas de diagnóstico indiretas ou diretas, e a identificação dos efeitos dos sintomas e sua respectiva apresentação clínica. Dessa forma pode-se obter melhores subsídios para a instituição do melhor manejo terapêutico e preventivo.

Alguns testes clínicos também podem ser aplicados durante o exame físico para o auxílio no diagnóstico. Pelas características dos sintomas da afecção, as manobras de averiguação da instabilidade articular são mais informativas em pacientes jovens, enquanto que a detecção de sinais de osteoartrite são esperadas em animais maduros.

Existem ainda testes como o de Ortolani, Bardens ou Barlow, que auxiliam na detecção da frouxidão articular. Entretanto, quando o resultado é negativo não exclui definitivamente uma possível presença de instabilidade articular, reforçando a complexidade de análise da doença.

Classicamente a displasia em cachorro é diagnosticada através de avaliação radiográfica (principalmente em cães adultos). Entretanto, diversos estudos levantam importantes limitações nesses exames. A principal delas é a falta de concordância entre a gravidade e intensidade de sinais clínicos e os achados radiográficos de projeções ventrodorsais da pelve.

Outras técnicas vem se desenvolvendo na busca por maior exatidão nos diagnósticos de displasia coxofemoral, entre elas o método Penn Hip. Este método avalia a frouxidão articular através de três planos radiográficos promovendo distração, compressão e extensão do quadril.

A distração possibilita quantificar a frouxidão articular por meio do índice de distração (cálculo da distância entre o centro da cabeça do fêmur até o centro do acetábulo), a compressão permite a visualização da congruência articular e a extensão obtém informações quanto a existência de osteoartrose.

Tratamento da displasia coxofemoral em cães idosos

Apesar de mais de 70 anos desde a primeira descrição documentada da doença, ainda não se tem unanimidade conceitual na forma de tratamento ideal ou curativa para a doença, sendo necessária a avaliação individual de cada paciente e do contexto que circunda sua saúde.

Na atualidade, discute-se a palavra tratamento, pois as medidas adotadas contra a displasia coxofemoral buscam o controle dos sintomas e dos efeitos secundários relativos à doença, ou ainda a prevenção do agravamento ou progressão das alterações patológicas. Entretanto, diversos estudiosos da doença concordam que o tratamento deve ser multimodal. Ou seja, que envolva diferentes modalidades de atuação terapêutica, preventiva ou ambas.

Diferente de outras afecções ortopédicas, a displasia coxofemoral é dependente e se beneficia muito das modalidades de controle não cirúrgicas ou conservativas. Como dito acima, entretanto, preza-se por uma abordagem multimodal, onde clínicos, cirurgiões e fisiatras atuam de forma conjunta na busca por resultados expressivos.

Principais modalidades de tratamentos para a displasia coxofemoral em cães

1 – Tratamento medicamentoso: se baseia, geralmente, na administração de medicamentos opióides ou anti-inflamatórios não esteroidais (AINES), com o objetivo de controlar a dor e desconforto articular. Costuma-se, em casos leves e iniciais, utilizá-lo como único método de tratamento. Entretanto, com a progressão da doença e de outros sintomas mais intensos, o uso exclusivo de medicamentos se torna ineficaz.

É importante compreender que os pacientes com frouxidão ou osteoartrose do quadril podem apresentar diferentes sintomas e, muitos deles não são de origem inflamatória ou álgica, tais como desvios angulares, articulações luxadas e contratura e atrofias musculares.

2 – Tratamento com agentes nutracêuticos: trata-se da exploração de elementos fitoquímicos presentes em alimentos e produtivos na prevenção e controle de doenças, diminuindo doses de medicamentos e reduzindo o tempo de tratamento. A glicosamina e condroitina são os agentes mais utilizados neste tratamento. Ambas estão envolvidas no metabolismo da cartilagem hialina, contribuindo na proteção e estimulação de produção de colágeno.

Há, no entanto, grande debate a respeito do real papel e ação dos nutracêuticos no tratamento de doenças como a displasia animal. Resultados de pesquisas são conflitantes, não havendo, até o momento, consenso sobre a eficácia do método.

3 – Manejo: a natureza multifatorial da doença se relaciona muito aos fatores ambientais no desenvolvimento e agravamento dos sintomas decorrentes do desgaste/frouxidão articular e da osteoartrose. Diversos estudos comprovam, por exemplo, o papel da obesidade e do excesso de atividades físicas na maioria dos casos de pacientes com osteoartrose.

Acredita-se que o sobrepeso leva a um estresse mecânico aumentado nas articulações, causando as degenerações articulares. Essa hipótese é também contemplada em publicações nas quais se observam melhores resultados radiográficos e clínicos após a perda de peso em animais com sobrepeso e osteoartrite do quadril.

4 – Cirurgia: por muitos anos acreditou-se que a displasia deveria ser tratada por meio de uma técnica cirúrgica de estabilização articular, por mecanismo diretos, indiretos ou ambos. Entretanto, atualmente sabe-se que nenhuma delas é capaz de restaurar as características anatômicas e fisiológicas normais do quadril, levando a inexistência de técnica cirúrgica ideal ou curativa. Entretanto, algumas técnicas de salvamento podem representar a melhor opção em casos graves, nos quais modalidades terapêuticas ou de controle conservativo não são mais efetivas.

É importante ressaltar que o tratamento cirúrgico não deve ser a escolha inicial, salvo raras exceções, mas o manejo clínico multimodal deve ser o de primeira escolha e, independente da modalidade adotada, sempre estará presente como forma mais eficaz de controle da progressão da doença.

Dentre as técnicas mais utilizadas por meio cirúrgico estão:

  • Sinfisiodese púbica juvenil;
  • Osteotomia tripla da pelve;
  • Excisão da cabeça e colo femorais (ECCF);
  • Prótese total do quadril;
  • Pectinectomia;
  • Osteotomia intertrocantérica;
  • Acetabuloplastia.

De uma forma geral, as diferentes modalidade cirúrgicas podem ser divididas em técnicas preventivas de estabilização indireta, as de alívio da dor e as de salvamento. Não há consenso sobre qual técnica é a mais indicada, sendo que a escolha normalmente se baseia em fatores como idade, grau da doença, doenças concomitantes, riscos e cuidados pós-operatórios, questões financeiras do tutor e capacidade técnica e de equipamento da equipe cirúrgica.

De maneira geral, o principal objetivo da intervenção cirúrgica é o de melhorar a qualidade de vida dos pacientes, seja por meio do alívio da dor, da melhora da estabilidade articular e consequente redução da velocidade e intensidade de progressão da doença articular degenerativa.

Por que os tratamento conservativos são os mais indicados para cães com displasia?

Os tratamentos conservativos são os mais indicados pois têm apresentado ótimos resultados na desaceleração da evolução da doença e melhora dos sintomas. Ações como diminuição do peso do animal (que pode ser feita através da hidroterapia com esteira aquática que preserva a musculatura do pet), a administração de condroprotetores e outras medicações que auxiliam no controle da dor e da progressão da osteoartrose e, principalmente, os diferentes métodos e práticas de fisioterapia veterinária, têm auxiliado de forma eficiente na redução significativa da inflamação e dor na articulação do quadril, sendo também uma ferramenta extremamente eficaz para o ganho de massa muscular ajudando diretamente na estabilização da articulação.

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